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Una Lectura de Recortes Urbanos del Artista Chileno Waldo Bravo

Por MÓNICA DROUILLY HURTADO - 2005
http://www.portaldearte.cl/especial/una_lectura.htm

.....Vivimos en un mundo ficcional, creado por discursos que han sido seleccionados entre muchos otros y sólo representan un fragmento de la realidad. Discursos que se imponen desde los medios de comunicación masiva y se instalan por sobre la realidad experiencial. En muchos casos, el modo más común de estar en contacto con los hechos es a través de estos discursos, pero ¿qué tan bien representan estos discursos la realidad? ¿Cuál es el límite entre la realidad y la ficción? En el desempeño de lo cotidiano ¿existe este límite?.....Las preguntas anteriores han sido abordadas desde los distintos ámbitos de la creación artística. J. L. Borges en su cuento Tema del traidor y del héroe (Ficciones, 1944) presenta una historia imaginada en la que la realidad copia a la ficción. Françoise Ozon en su última película, La piscina, trabaja en torno al poder creador de los relatos. Desde otro lenguaje, el artista chileno radicado en Brasil, Waldo Bravo cuestiona la relación realidad/representación con su intervención Recortes urbanos, la que consiste en la sustitución de paisajes reales por la imagen de estos. Pero no es una imagen espontánea, ‘natural’, la que sustituye el paisaje. Las imágenes a las que asistieron los transeúntes de Sao Paulo, desde el 22 de Mayo al 4 de Junio de 2004, han sido trabajadas, modificadas digitalmente para poder reemplazar el paisaje......En total fueron 10 las intervenciones simultáneas de 3 metros de alto por 9 de largo. Esto daba un total de 270 m² de instalación, en las que utilizando el espacio de los afiches publicitarios, el autor cuestionaba y advertía a los transeúntes. Debido a las características de la obra, existía sólo un punto en el cual la imagen se acoplaba y confundía perfectamente con el fondo, en el resto de las ubicaciones surgían imperfecciones, descalces entre lo representado y su contexto. Desde estas imperfecciones surge el cuestionamiento con respecto al soporte, al límite de la obra y a su relación con el contexto. La obra de Waldo Bravo no se entiende, no es capaz de dialogar con la cultura, si no se encuentra inserta en un determinado lugar en un cierto intervalo de tiempo. Tampoco lo puede hacer si pasa desapercibida, por lo que requiere de la lectura y la atención de los transeúntes. Con respecto a interacción de la obra con su contexto, el autor señala: “La imagen, al confundirse con el paisaje, provoca su auto-apagamiento, la negación de la imagen autónoma. En ese momento, la presencia y la ausencia de esa imagen se confunden”. En el punto de mayor perfección de la relación obra/entorno, ésta se niega a sí misma, oculta sus mecanismos, su materialidad la hace transparente.
.....La propuesta de Recortes Urbanos se alimenta de la obra La condición humana II (1935) de René Magritte (1895-1967), pero va un paso más allá; Bravo vuelca la preocupación pictórica de Magritte al mundo real. Apropiándose de los lugares públicos, de las esquinas de importantes calles y avenidas de Sao Paulo, esta sustitución de la realidad por su imagen interpela a los transeúntes en busca de un interlocutor. El artista señala que cada una de sus intervenciones “solamente es percibida por miradas más atentas y conscientes, provocando nuevas lecturas de los espacios ocupados por la mirada”. No cualquiera puede leer la obra de Waldo Bravo, así como no cualquiera es capaz de desentrañar los mecanismos que se ocultan detrás de los discursos que construyen la realidad. Se requiere de un lector atento, de un transeúnte atento que sea capaz de determinar cuales son los límites de la realidad y su relación con la representación para así efectuar el descubrimiento y la interpretación de los Recortes Urbanos.

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RECORTES URBANOS
Por WALDO BRAVO - 2004

Em 1935, René Magritte, na sua obra “A condição humana II”, questionou a ambigüidade entre a paisagem real e a paisagem representada.
Esse conceito, embora muito bem representado nesse quadro, não é a realização dele, e sim, apenas a tradução figurativa desse pensamento, o qual permaneceu no plano das idéias.
O sincronismo visual entre paisagem real e paisagem representada só existe em obras sem autonomia, ou seja, em obras dependentes da relação posicional do observador. A execução desse conceito somente é possível mediante uma expansão territorial, inserido-o no convívio do nosso mundo. Para isso, é necessário abrir mão da autonomia da arte. Naquele momento de Magritte, obras dependentes e relacionáveis não existiam - isso era impensável. A autonomia da arte era sagrada e não se falava na perda dessa autonomia.
O atual projeto “recortes urbanos”, que também poderia chamar-se “A condição humana III”, em função do diálogo com Magritte, apresenta aportes a esse conceito.
Este projeto de intervenção urbana questiona as relações e interferências da imagem na paisagem, e da paisagem na imagem.
A idéia é criar uma interferência na paisagem urbana com uma imagem da mesma paisagem, fundida e sincronizada, inserindo uma perturbação na superfície do campo visual dessa mesma paisagem urbana, que somente é percebida por olhares mais atentos e conscientes, provocando novas leituras dos espaços ocupados pelo olhar.
Ao locomover-se diante dessas intervenções, observando-as, o espectador perceberá que, num determinado ponto de vista, é possível unificar e integrar, no campo visual, a imagem digital e a paisagem real, criando-se alterações nos planos e na profundidade visual.
O diálogo entre a paisagem real e a paisagem representada resulta em indagações visuais entre a perspectiva real e a perspectiva representada na superfície da imagem. Ou seja, entre a profundidade real e o achatamento desses planos e profundidade na superfície dessa imagem. Criam-se dessa forma, significativas alterações entre a superfície e a profundidade dessa paisagem urbana, entre aquilo que é figura e aquilo que é fundo.
É perturbadora a sensação, ao olharmos em profundidade sabendo que parte dessa profundidade é superfície. Trata-se de um recorte visual na superfície da paisagem real.
Não procuro conteúdos específicos nas imagens, o meu interesse é pela relação das imagens confundidas com as paisagens, criando um contraponto de estranhamento entre as imagens e as paisagens urbanas. Aqui, a Forma e o Conteúdo se confundem, resultando em uma perturbadora relação entre o tema e o procedimento, isto é, na maneira de representar o conteúdo.
No atual projeto, a imagem precisa do suporte, mas apenas para negar esse mesmo suporte. A imagem, ao se confundir com a paisagem, provoca seu auto-apagamento, a negação da imagem autônoma. Nesse momento, a presença e ausência da imagem se confundem.
Nesse caso, não existe autonomia da imagem. Ela não faz nenhum sentido em outro local. A imagem depende do lugar específico e da relação com o espectador.
Estas intervenções atuam como uma forma poética de restauração do campo visual em fragmentos da paisagem urbana de São Paulo.
São intervenções que exigem muito mais que a simples contemplação, exigem sensibilidade visual e novas atitudes na relação com a paisagem urbana para estabelecer um diálogo capaz de desvendar os mistérios dessas intervenções, através de uma apreciação mais perceptiva, integrando dessa forma o observador, a imagem e a paisagem urbana.