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RECORTES AMBIENTAIS
Por GEORGIA LOBACHEFF - 2004

Interessado na aproximação de um Tempo PASSADO com um Tempo PRESENTE, Waldo Bravo nos coloca diante de uma interferência no ambiente da exposição que desafia nosso olhar. A idéia de substituir um espaço por uma imagem deste mesmo espaço leva o espectador a se defrontar com dois tempos: o tempo passado do registro e o tempo presente do espaço em que estamos habitando por algum momento. Obviamente, o espectador encontra um único ponto de vista ideal para observar esta obra e conseguir perceber a sobreposição.
Estamos aqui diante de um trabalho que trata de uma questão muito pertinente à contemporaneidade: a substituição da realidade por uma imagem dela, ou seja, o simulacro. Vivemos em um momento de simulação em que diversas emoções são vividas através da imagem e não mais da realidade. Nossos modelos deixam de ser reais e passam a ser construídos em torno de imagens idealizadas de um mundo virtual. A questão da representação está, portanto, em transformação já que o que buscamos representar não é mais a realidade e sim um simulacro.
No trabalho de Waldo uma outra faceta se impõe: a questão dos limites da obra, ou seja, do seu suporte e campo de existência. Em função da sobreposição de registro com realidade, perde-se a noção de fronteira. O assunto plotado não tem autonomia e só existe em função da realidade em seu redor. A obra passa a ser tudo, a imagem, a realidade em torno da imagem, enfim, o espaço da exposição. Há um constante questionamento entre presença e ausência, conteúdo e forma.

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