Waldo Bravo

Ferramentas para uma Arqueologia da Pintura
2016 - 2018

Memorial C57 e C59 - Imagem digital - 140 x 140cm



Memorial C57 - Imagem digital - 140 x 140cm




Memorial C59 - Imagem digital - 140 x 140cm




Memorial 70 - Acrílico sobre ferramenta - 18cm (diâmetro)



Memorial 69 - Acrílico sobre ferramenta - 23cm (diâmetro)




Memorial 57, 60, 59, 58, 76 - Óleo e Acrílico sobre ferramenta



Memorial 77, 73, 74 - Óleo sobre ferramentas




Memorial 61, 63, 62 - Acrílico sobre ferramentas



Memorial 63, 62, 68 e 70 - Imagem digital


Ferramentas para uma arqueologia da pintura

Intervenção urbana, arte conceitual, fotografia e arte relacional tem norteado o meu processo criativo nessa última década. A exposição “Cidades Imaginadas”, realizada no MAC de São Paulo em 2010, apresentou um bom panorama de tudo isso.

A saudade de uma relação mais intimista no processo criativo me fez retomar a pintura, não como retorno a ela, e sim como processo continuo de expansão, evolução e crescimento do meu próprio trabalho. Sabemos que não existe volta ao passado. Estamos sempre indo em frente.

A presente exposição implica uma caminhada adiante sem esquecer nossas raízes. Ela consiste de um momento de reflexão e diálogo com os fundamentos simbólicos das artes visuais e de um encontro com as suas raízes históricas.

Nessa exposição, a arte se alimenta da arte, apresentando uma experiência antropofágica, aonde utilizo fragmentos da história da arte como objeto de reflexão estética da própria arte.

Estes ícones pintados sobre ferramentas constroem uma narrativa de choque visual. Essa interferência territorial provoca novas leituras dos espaços ocupados pelo olhar, obrigando-nos a sair da zona tradicional de conforto visual.

Boa parte destas pinturas foram realizadas em óleo sobre aço, e outras em acrílico sobre aço, utilizando procedimentos formais de pintura contemporânea.

A utilização de ferramentas no processo criativo não é algo novo. Elas estão presentes nas obras de diversos nomes da arte moderna e pós-moderna: Marcel Duchamp, Jim Dine, Jose Damasceno, Nino Cais, Washington Silveira, Felix Bressan, Patric Hamilton, entre outros. Cada um desses artistas, a sua maneira, mostrou que o mais importante na arte não é O QUE, e sim O COMO.

Apresento ações canibais para criar um diálogo atemporal e arqueológico entre passado e presente.

Um rápido passeio pela história da arte, passando pela pré-história, renascimento, até chegar na arte moderna e contemporânea. Há diálogos com Henri Matisse e Giorgio Morandi. Há recontextualizações com Willendorf, Auguste Rodin, Marcel Duchamp, León Ferrari e Tunga. E citações de Leonardo da Vinci, Michelangelo, Diego Velásquez, Vincent Van Gogh, René Magritte, Tarsila do Amaral, Andy Warhol, Damien Hirst e Leonilson.

Estes nomes são símbolos iconográficos e arquetípicos que abitam o imaginário do mundo das artes. São artistas a quem devoto grande admiração, e por isso, aqui presto a minha homenagem.

A herança “duchampiana” é fundamental nesse processo criativo ao promover uma dupla apropriação. Por um lado, nas ferramentas, e por outro lado, nos ícones históricos, essenciais no campo semântico das artes.

A utilização das ferramentas provoca uma reflexão: seriam elas, apenas suportes para as obras, ou seriam componentes estruturais das próprias obras?

As ferramentas antigas trazem consigo uma carga de tempo e memória impregnada na sua superfície, a qual é incorporada à obra como componente de conteúdo.

Nesse sentido, surgem dúvidas e incertezas sobre o tema e a sua relação com o suporte: Trata-se de uma ambígua relação entre aquilo que é “conteúdo” e aquilo que é “suporte”. Conceitualmente, podemos chama-las de obras-suportes ou, suportes-obras.

Os elementos que utilizo nestes trabalhos discorrem sobre o tempo, na medida em que obras do passado são revisitadas no presente, construindo um diálogo atemporal. Os trabalhos exploram as fronteiras da memória e da temporalidade mediante releituras de alguns símbolos icônicos da arte de todos os tempos.

Estou sempre a procura da liberdade, seja ela utópica ou não, fugindo das manipulações do mercado e das tendências dominantes. Ao retomar a linguagem da pintura por meio de um procedimento arqueológico, adotei uma postura de não linearidade, de ruptura com tudo aquilo que aprisiona, prende, ou sistematiza meu processo criativo, utilizando a experimentação e o trabalho investigativo como ferramenta de evolução e crescimento.

A experimentação é profundamente sedutora para meu processo criativo, porque nesse território a minha relação com o tempo e com a verdade sintoniza-se, atualiza-se, recicla-se, e acima de tudo, me oferece o divino encontro com a liberdade que não me canso de procurar, seja no presente, no passado ou no futuro.


Waldo Alejandro Bravo













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Video - Exposição Galeria NUVEM - 2016


Memorial 56 - Acrílico sobre ferramenta - 20cm (diâmetro)




Memorial C56 e C72 - Imagem digital - 140 x 140cm



Memorial 72 - Acrílico sobre ferramenta - 34cm (diâmetro)




Memorial 75 - Acrílico sobre ferramenta - 18cm (diâmetro)



Memorial 71 - Acrílico sobre ferramenta - 20cm (diâmetro)




Memorial C58 - Imagem digital - 140 x 140cm



Memorial 68, 67 e 66 - Óleo sobre ferramentas



Memorial 64 e 65 - Acrílico sobre ferramentas